Prova Brasil e TRI

A Prova Brasil e a TRI

Na Prova Brasil não é aferido quantidade de acertos e sim a construção de habilidades e competências – entenda a Teoria da Resposta ao Item ou TRI.

A Prova Brasil e a TRI

No Brasil, as políticas de responsabilização sobre o desempenho escolar dos alunos estão atreladas ao estabelecimento de metas para o desempenho dos alunos em avaliações de larga escala e o consequente alcance, ou não, dos resultados pelas instituições de ensino. Como exemplos de tais processos de avaliações, podemos citar a Prova Brasil, Pisa, avaliações pertinentes aos Estados para avaliar suas redes de ensino (SARESP), etc.

Tratando-se especificamente da Prova Brasil, é uma avaliação do tipo externa, aplicada de dois em dois anos a todos os alunos do 5º Ano e 9º Ano do Ensino Fundamental, bem como 3º Ano do Ensino Médio, de todo o território nacional. A aferição de seus resultados tem por objetivo monitorar o ensino e aprendizagem de Português e Matemática dos alunos nas diversas etapas da Educação Básica. Para isso, faz-se uso da metodologia chamada Teoria da Resposta ao Item (TRI).

A TRI é uma metodologia que possibilita avaliar o desempenho dos alunos quanto a aquisição de habilidades e competências, em oposição a metodologias tradicionais que aferem somente a quantidade de acertos em um teste.

Nesse contexto, o desempenho geral dos estudantes é obtido tratando e extraindo conclusões sobre cada item respondido e que compõe o teste.  Por meio de escala construída convenientemente, é possível descrever como o desempenho do aluno se relaciona com as habilidades medidas pelos itens na avaliação (HAMBLETON & JONES, 1993)

Em linhas gerais, a TRI avalia a coerência das respostas dos alunos nos testes e não quantidade de acertos. Por exemplo, se um aluno acertar uma questão sobre o tema “Espaço e Forma” que exija um alto nível de proficiência conforme a escala da prova Brasil e, contudo, errar as questões do mesmo tema que estão em níveis inferior na mesma escala, obterá uma nota mais baixa que se tivesse acertada somente questões de níveis de proficiência mais baixa. Via de regra, se acertou questões difíceis, espera-se que responda corretamente as questões mais fáceis também.

Dessa forma, outra conclusão que podemos extrair é que se dois alunos acertarem o mesmo número de questões, não necessariamente obterão a mesma nota. Ou seja, a maior nota será daquele que for mais coerente com relação às suas respostas.

Em resumo, podemos dizer que a utilização de teorias clássicas nos testes possibilita tão somente avaliar a aquisição de conteúdo específicos das disciplinas, enquanto a utilização da TRI têm como objetivo avaliar o nível de proficiência por meio do desenvolvimento de habilidades e competências em sala de aula.

Portanto, pelo motivo de os sistemas de avaliação baseado na TRI apoiar-se em um referencial muito diferente daquele utilizado pela maioria dos professores, um trabalho de formação de professores voltado a compreensão dessa metodologia pode desencadear uma mudança no ensino de matemática em sala de aula.

Esta mudança na forma de avaliar os estudantes pode ter impacto considerável no ensino na sala de aula de Matemática, pois desloca a atenção dos conteúdos estanques vistos de forma isolada para a busca de relações entre os mesmos e aplicações em contextos diversos onde a Matemática se faz presente.

Assim, um real entendimento da metodologia TRI utilizada na Prova Brasil pode ser determinante para a construção de um planejamento de trabalho com vistas à construção de habilidades e competências matemáticas em sala de aula.

About The Author

Valter Magalhães

Valter Magalhães é Professor e Mestre em Educação Matemática pelo IME / USP.

Deixe o seu comentário