Inteligencia artificial

Inteligência Artificial: limites e o papel do especialista

O estudo e desenvolvimento das metodologias em Inteligência Artificial (IA) estão fundamentados em sólidos princípios teóricos e práticos do campo do conhecimento denominado Ciência da Computação.

O princípio básico da IA e de suas metodologias é a automação do comportamento inteligente e exemplos dessas metodologias são os Autômatos Celulares, Algoritmos Genéticos, Programação Genética, Redes Neurais Artificiais, Computação Cognitiva, etc. A título de destaque, a plataforma Watson produzida pela IBM baseia-se nas técnicas da Computação Cognitiva.

Mas o que é inteligência ou comportamento inteligente?

As definições acerca do que é inteligência são bastante vagas e não apresentam generalidade suficiente para abarcar toda a complexidade daquilo que o intelecto humano pode criar e que é, para a imensa maioria das pessoas, referência para conceitualizar comportamento inteligente. É tal fato que dificulta avaliar de forma precisa (até mesmo por um programa de computador) se um comportamento pode ser considerado inteligente.

As questões em torno da de conceitualizar inteligência podem ser resumidas em:

  • A inteligência é uma faculdade única, ou é apenas um nome dado a uma coleção de habilidades distintas não correlacionadas?
  • Até que ponto a inteligência pode ser aprendida em oposição à sua existência prévia? Exatamente o que acontece quando ocorre o aprendizado?
  • O que é criatividade?
  • O que é intuição? Pode ser inferir a inteligência a partir do comportamento observável, ou é necessária evidência de um mecanismo interno particular?
  • Como o conhecimento é representado no tecido de um ser vivo e que lições podemos tirar deste fato para o projeto de máquinas inteligentes?
  • O que é autoconsciência: que papel ela tem para a inteligência?
  • É mesmo possível se obter inteligência num computador, ou uma entidade inteligente requer a riqueza das sensações e experiências que só podem ser encontradas numa existência biológica?

Inteligência Artificial e seus limites

Segundo George F. Luger, as investigações em torno destas questões contribuíram para formular os problemas e as metodologias que constituem o cerne da IA moderna. De forma mais específica, a busca por tornar preciso o conceito de comportamento Inteligente e tentar responder essas e outras questões possibilitaram o desenvolvimento das diversas metodologias em IA.

No que concerne às divagações existentes sobre os limites de atuação e aplicações computacionais para a solução de diversos problemas, aos quais o computador não foi instruído previamente, por meio da concepção de um conceito de comportamento inteligente possível de ser interpretado por um sistema computacional, cada metodologia oferece técnicas para tratamento e solução de uma classe de problemas que não poderiam ser abarcados por metodologias algorítmicas convencionais.

Considerações finais

Atualmente, verifica-se um avanço tanto tecnológico quanto em aplicações por parte da IA. Verifica-se, principalmente por meio de suas aplicações, a sua capacidade de atuar em espaços outrora inimagináveis, como por exemplo, controlando carros em vias públicas ou fazendo diagnósticos médicos. Nesses casos, se não podemos dizer que o programa de computador suplantou a flexibilidade e capacidade de decidir sobre situações originais, podemos afirmar que suplantou o trabalho técnico rotineiro do especialista em questão (motorista e médico).

No próximo artigo, tratarei das metodologias em IA e suas aplicações. E, para encerrar esse artigo, cabe o seguinte questionamento:

Se esse é o real limite de um sistema baseado em IA, ou seja, “sua limitação em tomar decisões sobre situações ou eventos originais para os quais a máquina não foi programada para resolver”, qual o papel do especialista humano nesse novo momento em que estamos vivendo?

About The Author

Valter Magalhães

Valter Magalhães é Professor e Mestre em Educação Matemática pelo IME / USP.

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